terça-feira, 15 de novembro de 2011

O SENHOR DO MUNDO - O ADVENTO - CAPÍTULO 1 – Parte 1

LIVRO 1- O ADVENTO

CAPÍTULO 1 – Parte 1

Oliver Brand, o novo membro para Croydon , em seu estúdio, olhando pela janela por sobre sua máquina de escrever.

Sua casa de frente para o norte no final de Surrey Hills, agora desfigurada; apenas para um Comunista a vista era inspiradora. Logo abaixo das grandes janelas, o terreno se inclinava 30 metros abaixo, terminando num grande muro e além dele, o mundo e as obras gloriosas do homem se espalhavam até onde os olhos podiam ver.

Duas enormes pistas delineadas como pistas de corridas, cada uma não menor que 400 metros de largura e rebaixadas do solo em uns 6 metros se encontravam a pouco mais de 1 quilometro à frente em uma grande junção.

A que estava à sua esquerda era a Primeira Linha-Tronco para Brighton, inscrito em letras maiúsculas no Guia de Ferrovias. A da diretira a Segunda Linha-Tronco para o distrito de Hasting e Tunbridge.

Cada uma dividida longitudinalmente por um muro de cimento, sendo que em um lado se fixavam os trilhos de aço e andavam os trens elétricos e no outro ficavam as faixas propriamente ditas, divididas em três, sobre as quais passavam, primeiro a linha de transporte público a uma velocidade de 240 quilometros por hora, a segunda para os veículos privados a não mais que 100 quilometros, a terceira a linha econômica pública a 50 km, com estações a cada 8 km. Isto era flanqueado por uma estrada confinada a pedestres, ciclistas e veículos comuns sobre a qual nenhum veículo poderia andar mais que 20 quilometros por hora.

Para além destas grandes pistas ficava um imenso plano de telhados de casas, com pequenas torres aqui e ali, marcando os edifícios públicos, desde o distrito de Caterham até Croydon, tudo límpido e brilhante no céu desanuviado; e longe ao oeste e norte ficavam as colinas do subúrbio de encontro ao firmamento de abril.

Havia pouco barulho, considerando a pressão da população; e. com a exceção de do som dos trilhos de aço quando o trem passava rumo ao norte ou ao sul, e o doce acorde dos grandes veículos ao se aproximarem e deixarem a grande junção, havia pouco a ser ouvido neste estúdio, exceto por um suave e confortante murmúrio que preenchia o ambiente como o zumbido de abelhas em um jardim.

Oliver gostava de toda a indicação de vida humana- todos os sons e estímulos visuais-e agora sorria levemente para si mesmo ao fitar o céu claro. A seguir, selou os lábios e aportou seus dedos nas teclas novamente, e continuou na escrita do seu discurso.

* * * * *

Ele era afortunado por ter aquela casa. Ela ficava em um ângulo de uma daquelas enormes redes com as quais o país era todo coberto

e era tudo que ele poderia esperar para seus propósitos. Era perto o bastante de Londres para ser extremamente barata, pois todos os ricos se afastaram por pelo menos 160 quilometros do coração pulsante da Inglaterra; mas gostava por ser bastante calma. Ele estava também a dez minutos de Westminster e a vinte minutos do mar e seu distrito eleitoral se estendia diante dele como um mapa elevado. Além disso, desde que o ponto final da Grande Londres ficava dali a 10 minutos, havia, à sua disposição, o transporte da Primeira Linha-Tronco para toda grande cidade de Londres. Para um político de poucos meios, a quem era solicitado falar em Edinburgh em uma noite e em Marselha em outra, ele era um homem bem localizado na Europa.

Ele era um homem de aparência agradável, não mais que 30 anos, cabelos negros anelados, barbeado, magro, viril, carismático, de olhos azuis e cútis branca. Neste dia, ele parecia estar feliz consigo e com o mundo. Seus lábios se moviam levemente ao passo que escrevia, seus olhos mexiam com a emoção e mais de uma vez ele pausava e olhava para fora novamente, sorrindo e ruborizando-se.

A seguir, uma porta abriu, um senhor de meia idade entrou apressadamente com um monte de papeis , colocando-os na mesa sem uma palavra, e virou-se para sair. Oliver levantou a mão para chamar-lhe a atenção e falou.

"O que é, Sr. Phillips?" ele disse.

"São notícias do Oriente, senhor " disse o secretário.

Oliver olhou de soslaio, e pos a mão nos papeis.

"Alguma mensagem completa?" perguntou.

"Não, senhor; está interrompida de novo. É mencionado o nome do Sr. Felsenburgh".

Oliver pareceu não ouvir; ele levantou umas folhas impressas com um súbito movimento e começou a virá-las.

"A quarta de cima para baixo, Sr. Brand,” disse o secretário.

Oliver moveu a cabeça com impaciência, e o outro saiu como se em um sinal.

A quarta folha, impressa em vermelho sobre fundo verde, parecia absorver a atenção de Oliver completamente, pois ele a leu por completo de duas a três vezes, se reclinando imóvel em sua cadeira. A seguir, suspirou e de novo olhou pela janela.

Mais uma vez, a porta abriu e uma moça alta entrou.

"E então, meu querido?" ela observou.

Oliver meneou a cabeça, com lábios cerrados.

"Nada definido," ele disse. "Até mesmo menos que o usual. Ouça."

Ele pegou a folha verde e começou a ler em voz alta enquanto a garota se sentava à sua esquerda..

Ele era uma criatura encantadora, alta e esguia com olhos verdes sérios e ardentes, lábios vermelhos firmes e um bonito conjunto de rosto e ombros.

Ela tinha percorrido a sala enquanto Oliver pegava o papel e agora sentava com seu vestido marrom em uma atitude solene e graciosa. Ela parecia ouvir com deliberada paciência; mas seus olhos tremulavam com interesse.

"'Irkutsk—14 de Abril--Ontem--como--sempre--Mas—rumores de--

deserção--do--partido--Sufi-- Tropas--continuam—a se reunir--

Felsenburgh--discursou--multidão—budista--Atentado--ao--Lama—Sexta-feira—passada---trabalho--of--Anarquistas--Felsenburgh--indo--para--Moscou—conforme combinado—ele…Isto é absolutamente tudo,” terminou Oliver desanimado. “ Interrompido como sempre.”

A moça começou a balançar um pé.

"Não entendi nada," ela disse. "Quem é Felsenburgh, afinal?"

"Minha querida, isto é o que todo mundo está perguntando. Nada se sabe, exceto que ele foi incluído na delegação americana no último momento. O Herald publicou sua biografia na semana passada; mas foi contestada.

É certo que ele é jovem e que é um desconhecido até o momento."

"Então, ele não é obscuro agora," observou ela.

"Sim; parece que ele está dirigindo a coisa toda. Não se ouve uma palavra dos outros. Temos sorte de que ele esteja no lado certo."

"E o que você acha?"

Oliver virou seus olhos vazios de novo pela janela.

"Eu acho isto muito crítico," ele disse. "A única coisa notável é que aqui pouca gente parece perceber. É grande demais para imaginar, eu suponho. Não há dúvida de que o Oriente está preparando para cair sobre a Europa neste últimos cinco anos. Eles têm sido apenas vigiados pela América; e isto é apenas uma última tentativa de pará-los. Mas por que Felsenburgh deveria ir para o fronte---“ ele interrompeu.” Ele deve ser um bom linguista, talvez. Esta é pelo menos a quinta multidão para quem ele discursou, talvez ele seja apenas um intérprete americano. Cristo! Como gostaria de saber quem ele é.”

"Ele tem algum outro nome?"

"Julian, eu acho. Uma mensagem fala isso."

"Como é que isto se sucedeu?"

Oliver balançou a cabeça.

"Empreendimento privado," ele disse. "As agências europeias pararam de trabalhar.

Toda estação telegráfica é vigiada dia e noite. Há linhas de volors espalhados por toda a fronteira. O Império tenciona resolver este problema sem nós."

"E se der errado?"

"Minha querida Mabel—se o inferno acontecer---" lançou suas mão ao ar com um tom depreciativo.

"E o que o Governo está fazendo?"

"Trabalhando dia e noite; como todo o resto da Europa. Será o Armagedom se vier a guerra."

"Quais são as chances que você vê?"

"Vejo duas chances," disse Oliver lentamente: "a primeira, que eles possam temer a América e possam se conter por medo; a segunda que eles possam se conter por caridade; se pelo menos eles pudessem entender que a cooperação é a única esperança do mundo. Mas aquelas malditas religiões deles---“

A garota suspirou e olhou para a série de telhados das casas abaixo da janela.

A situação era realmente séria mesmo. Aquele vasto Império, consistido de estados federalistas sob o Filho do Céus (criado pela fusão das dinastias japonesa e chinesa e com a queda da Rússia), estava consolidando suas forças e aprendendo com o seu próprio poder durante os últimos 35 anos.

Desde então, na verdade, ele tinha posto as mãos na Austrália e India.

Enquanto o resto do mundo aprendera a insensatez da guerra, desde a queda da república russa sob o ataque combinado das raças amarelas, a outra parte sabia de suas possibilidades. Parecia agora como se a civilização do último século deveria se empurrada novamente para o caos.

Não era que a populaça do Oriente se importava muito; era seus governantes que começavam a serem mais ambicionos depois de uma quase eterna letargia, e era difícil imaginar como eles poderiam ser detidos a este ponto. Havia rumores sombrios de que o fanatismo religioso estava por detrás do movimento e que o paciente Oriente propunha finalmente converter pelos modernos equivalentes de ferro e fogo aqueles que havia colocado, de lado pela maior parte, todas as crenças religiosas exceto aquela na Humanidade.

Para Oliver, isto era simplesmente enlouquecedor. Ao olhar pela janela, ele via a vasta área de Londres em paz diante dele, e sua imaginação corria pela Europa e via o triunfo do bom senso e dos fatos sobre os contos da carochinha da Cristandade, parecia intolerável que houvesse uma possibilidade de que tudo isso voltasse a ser lançado de novo no tumulto bárbaro de seitas e dogmas; pois é o que ocorreria com o Oriente tomando posse da Europa. Mesmo o Catolicismo iria reviver, disse a si mesmo, aquela estranha fé que tinha sido queimada em chamas tantas vezes quando as perseguições se apressaram a derrubá-la; e, de todas as formas de fé, para a cabeça de Oliver, Catolicismo era a mais grotesca e escravizante. E o prospecto de tudo isso realmente o preocupava, muito mais que o pensamento de catástrofe real e banho de sangue que seria infligido à Europa com o advento do Oriente.

Havia apenas uma esperança do lado religioso, conforme ele havia dito para Mabel uma dezena de vezes, e era a de que o Panteísmo Sereno, que desde do último século havia feito grande progresso tanto no Oriente e Ocidente, entre eles os Maometanos, Budistas, Hinduístas, Confucionistas e os demais, deveria valer-se de deter o frenesi sobrenaturral que inspirava os irmãos esotéricos.

O Panteísmo, ele entendia, era o que ele mesmo sustentava; para ele, “Deus” era a somatória do vida criada e desenvolvida e Unidade impessoal do Seu ser; a competição era então a grande heresia que colocava os homens uns contra os outros e atrasava todo o progresso; pois, segundo ele, o progresso residia na fusão do individuo na família, da família na pátria, da pátria no continente, e do continente no mundo.

Finalmente, o próprio mundo em algum momento não era mais que o temperamento da vida impessoal. Era, de fato, a ideia católica com o sobrenatural deixado de lado, uma união de destinos terrenos, um abandono do individualismo por um lado, e sobrenaturalismo de outro. Era traição apelar do Deus Imanente para o Deus Transcendente, não havia Deus transcendente; Deus, até onde Ele poderia ser conhecido, era homem.

Contudo estes dois, marido e mulher , estes dois estavam muito longe de compartilhar a costumeira e forte apatia dos meros materialistas. O mundo, para eles, batia com uma vida ardente brotando em flor, animal e homem, uma torrente de vigor esplêndido fluindo de uma fonte profunda e que irriga tudo que movia ou sentia.

Seu romance era o mais apreciável porque era compreensível para as mentes que nasciam dele; havia mistérios nele, mas mistérios que entiçavam em vez de deixar de serem explicados, pois eles mostravam novas glórias com toda a descoberta que o homem poderia fazer; até mesmo objetos inanimados, o fóssil, a corrente elétrica, as estrelas distantes, estes tinha a poeira sacudida pelo Espírito do Mundo- enlevado com Sua Presença e eloquente por Sua Natureza.

Por exemplo, o anúncio feito por Klein, o astrônomo, vinte anos antes, de que a vida em determinados planetas tinha se tornado um fato comprovado—como isto havia alterado em muito as visões do homem diante de si próprio.

Mas a única condição de progresso e a construção de Jerusalém, no planeta que era o lugar de habitação do homem, era a paz, não a espada que Cristo trouxe. ou com a qual Maomé brandiu; mas a paz que se criou pelo entendimento; a paz que nasceu do conhecimento que o homem era tudo e era capaz de desenvolver a si próprio somente pela simpatia com seus companheiros.

Para Oliver e sua esposa, então, o último século parecia como uma revelação; pouco a pouco as velhas supertições se desvaneciam, e o nova luz se espalhava; o Espírito do Mundo O tinha despertado; e agora com horror e repulsa que viam as nuvens sombrias se reunirem novamente

* * * * *

Mabel se levantou e veio até seu marido.

"Meu querido," disse ela, "você não deve ficar abatido. Isto tudo pode passar como passou outrora. É bom saber que agora eles estão ouvindo a América realmente. E este Sr. Felsenburgh parece estar do lado certo."

Oliver pegou sua mão e a beijou.

FIM DA 1ª PARTE DO CAPÍTULO 1

domingo, 13 de novembro de 2011

O Senhor do Mundo

Esta é uma tradução do livro de Robert Hugh Benson, O Senhor do Mundo (The Lord of the World). Foi pedida por Alexandre Moreira Fernandes. Contudo, será publicada em partes, sendo que a primeira será o Prólogo, que por sinal é bastante extenso. O texto vai parecer confuso e cheio de informações, que deverão ser melhor explicadas no decorrer dos capítulos seguintes.
Que não se confunda com o Senhor do Mundo, de Júlio Verne, um dos meus escritores preferidos.
Descrito por algum críticos como um dos três maiores livros sobre o advento do demonismo na literatura mundial. Neste livro, o Ocidente sucumbe a uma espécie de socialismo internacional. As forças triunfantes do materialismo secular, relativismo e controle do estado estão por todos os lados. Não há mais Protestantismo, e o Catolicismo, que teve maior avanços na primeira metade do século 20, tem sido devastado pelo desenvolvimento de novas psicologias. A eutanásia se tornou um instrumento do Estado, o Esperanto a segunda língua universal. E por final, o Oriente, que se amalgamou-se em um único bloco panteísta, continua a ser uma ameça militar. Aparece o Anticristo...
Um pouco sobre Robert Benson.

Robert Hugh Benson (18 November 1871 – 19 October 1914)

Benson foi educado no Colégio Eton e estudou os clássicos e teologia

no Colégio Trinity, em Cambridge de 1890 a 1893.

Benson pai morreu subitamente em 1896 e ele foi enviado em uma viagem ao Oriente Médio para recuperar a sua própria saúde. Enquanto estava lá, ele começou a questionar o status da Igreja da Inglaterra e para considerar as reivindicações da Igreja Católica Romana .

Benson foi ordenado como um sacerdote católico romano em 1904 e enviado para Cambridge. Ele continuou sua carreira de escritor, juntamente com o seu ministério como padre.

Foi feito a um monsenhor em 1911.

Mais informações sobre ele e suas obras em : http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Hugh_Benson


Senhor do Mundo

de Robert Hugh Benson

Dedicado a Clavi Domus David

Prefácio

Tenho certeza absoluta de que este é um livro sensacional e aberto a inúmeras críticas. Não soube como expressar os princípios que desejava (e os quais eu acredito apaixonadamente serem verdadeiros), mas os escrevi as linhas deste livro com entusiasmo. Tentei, contudo, não bradar excessivamente, e sim manter tanto quanto possível a reverência e a consideração pelas opiniões das pessoas. Se eu consegui na tentativa, isto é outro assunto.

Robert Hugh Benson.

CAMBRIDGE 1907.

As pessoas, que não gostam de prólogos aborrecidos, não precisam ler este. É essencial apenas para a situação, não para a estória.

PRÓLOGO

“Dê-me um momento, “disse o velho senhor, recostando.

Percy se ajeitou na cadeira e esperou, com a mão no queixo.

Era uma sala silenciosa onde se sentavam três homens, mobiliada com o gosto comum da época. Não tinha janelas ou portas; pois já fazia agora sessenta anos desde que muitos se decidiram morar debaixo da superfície. A casa do velho Sr. Templeton ficava a aproximadamente doze metros abaixo do nível do Rio Tâmisa. O local era bem localizado, pois necessitava caminhar apenas 90 metros até a estação. Ele tinha 90 anos de idade, e raramente saia de casa nestes tempos. A sala fora revestido todo com delicado esmalte verde-jade, prescrito pelo Conselho de Saúde, e era iluminado com a luz artificial, descoberta pelo grande Reuter quarenta anos atrás; tinha o tom de cor de madeira da primavera, e era aquecida e ventilada à temperatura exata de 18 graus centigrados. O Sr. Templeton era um homem simples, satisfeito por viver igual a como seu pai vivera. Os móveis eram um pouco ultrapassados relembrando mogno. Estantes bem preenchidas montadas de vários lados, diante do qual se sentavam três homens; e nos cantos ficam os elevadores hidráulicos que permitiam a entrada de um ambiente para outro e para o corredor quinze metros acima , que abria para a superfície do rio.

Padre Percy Franklin, o mais idoso dos dois padres, era mesmo um homem de aparência notável, não mais que trinta e cinco anos de idade, mas com cabelos todos brancos, olhos acinzentados. Suas sobrancelhas negras eram particularmente brilhantes e quase ardentes; mas seu queixo e nariz proeminentes e a extrema resolução de sua boca indicava seu temperamento ao observador. Quem acabava de conhecê-lo, geralmente olhava duas vezes para ele.

Padre Francis, por sua vez, sentava em uma cadeira reta do outro lado da lareira, tinha olhos castanhos agradáveis e comoventes, mas não havia robustez na sua face; havia uma tendência para melancolia feminina nos cantos da boca e uma acentuada queda das pálpebras.

O Sr. Templeton era apenas um velho senhor, com rosto vigoroso e enrugado, mas bem barbeado, e agora se recostava em seus travesseiros e com um acolchoado sobre seus pés.

* * * * *

Finalmente, ele falou, olhando primeiro para Percy, à sua esquerda.

“Bem,” disse ele, “é muito importante lembrar exatamente; mas isto é como eu vejo.”

“Na Inglaterra, nosso partido foi seriamente alertado no Parlamento Trabalhista de 1917. Isto nos mostrou o quão profundo o Herveismo havia impregnado todo o ambiente social. Havia socialistas antes, mas não como Gustave Herve — pelo menos ninguém do mesmo poder. Ele, talvez vocês tenham lido, ensinava Materialismo e Socialismo puros. Patriotismo, ele disse, era uma relíquia do barbarismo; e o prazer sensual era o único bem. É claro, todos riram dele. Foi dito que sem religião, não poderia haver inclinação adequada pela população para até mesmo a mais simples ordem social. Mas parecia que ele estava certo. Depois da queda da Igreja Francesa, no começo do século e os massacres de 1914, a burguesia resolveu se organizar; e aquele movimento extraordinário iniciado com seriedade, levado pela classe média, sem patriotismo, sem distinção de classes e praticamente sem exército. É claro, a Maçonaria dirigia tudo isso. Isto se espalhou para a Alemanha, onde a influência de Karl Marx já havia---”

“Sim, senhor,” disse Percy calmamente, “mas e com relação à Inglaterra, se não se importa---”

“Ah, sim; Inglaterra, Bem, em 1917, o partido trabalhista se refreou, e o Comunismo realmente começou. Isto foi muito antes do que posso lembrar, é claro, mas meu pai costumava datar desde então. A única curiosidade era que as coisas não iam adiante com rapidez; mas suponho que havia bastante influência dos Torys ainda. Além disso, os séculos geralmente passavam mais lentamente do que esperado. Mas a nova ordem começara então; e os Comunistas nunca sofreram um sério revés , exceto um pequeno em ´25. Blenkin fundou “O Novo Povo” então; e o “Times” fechou; mas não foi tão estranho até que em ´35 a Câmara dos Pares (Suprema Corte) caiu pela última vez. A Igreja Estabelecida havia acabada em `29.”

“E o efeito religioso disso?” perguntou Percy rapidamente, enquanto o velho senhor pausou um pouco, para tossir de leve. O padre estava preocupado em manter o foco.

“Foi um efeito,” disse o outro, “do que propriamente uma causa. Veja você, os Ritualistas, assim eles costumavam ser chamados, após uma tentativa desesperada em entrar na linha dos Trabalhistas, entraram na Igreja após a Convocação de '19, quando foi retirado o Credo de Nicéia. Mas como houve um efeito desde o final Desestabelecimento, eu acho que foi o que restou da Igreja do Estado diluída na Igreja Livre, e a Igreja Livre era, afinal, pequena. A Bíblia foi completamente abandonada como autoridade após os renovados ataques germânicos nos anos 20. A teoria Cenótica contribuiu para o desaparecimento da Divindade do Nosso Senhor.

Então, houve aquele estranho movimento entre os Eclesiásticos Livres; quando os ministros, que não faziam mais que seguir a corrente, saíram de suas velhas posições. É curioso ler na história dos tempos, como eles eram chamados de pensadores independentes. Era justamente o que eles não eram... Onde eu estava? Ah, sim... Bem, isso limpou o espaço para nós, e a Igreja fez extraordinário progresso por um momento—extraordinário, isto é, sob as circunstâncias, porque você deve se lembrar, as coisas eram muito diferentes de vinte, ou até mesmo dez anos antes. Quero dizer que, falando a grosso modo, havia começado o decepamento de ovelhas e cabras. As pessoas religiosas eram praticamente todas Católicas e Individualistas; as não religiosas rejeitavam o sobrenatural completamente, e eram Materialistas e Comunistas. Mas fizemos progresso, porque nós tínhamos alguns homens excepcionais- Delaney, o filósofo, McArthur e Largent, os filantropistas, e assim por diante. Realmente, parecia que Delaney e seus discípulos poderiam fazer de tudo. Vocês se lembram da sua “Analogia”? Ah, sim, está tudo nos livros...

“Bem, então, ao término do Conselho do Vaticano, que tem sido convocado desde o século 19, e nunca foi dissolvido, perdemos muitos nas definições finais. O “Êxodo dos Intelectuais”, era chamado pelo Mundo---”

“As decisões Bíblicas,” colocou o padre mais jovem.

“Isto parcialmente, e todo o conflito que se iniciou com o advento do Modernismo no começo do século, mas muito mais pela condenação de Delaney, e do Novo Transcendentalismo, de modo geral como fora compreendido. Ele morreu fora da Igreja, vocês sabem. Então, houve a condenação do livro de Sciotti na Religião Comparada...Depois que os comunistas deram grandes passos, sem bem que lentamente. Parece extraordinário para vocês, ouso dizer, mas não imaginam a emoção causada, quando o Ato dos Ofícios Necessários tornou-se lei em ’60. As pessoas pensaram que todo empreendimento se paralisaria, quando tantas profissões foram estatizadas, mas, como vocês sabem, não ocorreu.”

“Em que ano o Ato da Maioria dos Dois Terços foi aprovado?” perguntou Percy.

“Ah! Muito antes—depois de um ano ou dois da queda da Câmara dos Pares. Foi necessária, eu acho, ou os Individualistas teriam ficado loucos... Bem, o Ato dos Ofícios Necessários foi inevitável: as pessoas havia começado a entender desde o tempo em que foram municipalizadas. Por um momento, houve um surto das artes; porque todos os Individualistas que podiam, entraram nisso (foi então quando a escola Toller foi fundada); mas eles logo mudaram para emprego público; afinal, o limite de 6% para toda a empresa individual não era mesmo uma tentação; e o Governo pagava bem.”

Percy meneou a cabeça.

“Sim; mas não consigo entender o atual estado das coisas. Você disse agora pouco que as coisas caminharam lentamente?”

“Sim,” disse o velho, “ mas vc deve se lembrar das Leis dos Pobres. Isto estabeleceu os Comunistas para sempre. Certamente, Braithwaite sabia o que fazia.”

O padre mais jovem olhou inquiridamente.

“A abolição da antigo sistema de asilo para pobres.” Disse Mr. Templeton. “É tudo história antiga para você, é claro, mas eu me lembro como se fosse ontem. Foi isso que trouxe abaixo o que era ainda chamado Monarquia e as Universidades.”

“Ah,” disse Percy. “ Eu gostaria de ouvir vc falar sobre isso, senhor.”

“Atualmente, padre... Bem, isto é o que Braithwaite fez. Pelo antigo sistema, todos os pobres eram tratados igualmente, e ressentiam disso. Pelo novo sistema, havia as três faixas que temos , e a admissão de duas faixas mais elevadas. Somente os absolutamente sem valor eram designados para a terceira faixa, e tratados mais ou menos como criminosos—claro que após cuidadosa verificação. Depois, havia a reorganização das Pensões da Velhice. Bem, não dá para ver como isto fortaleceu os Comunistas? Os Individualistas—assim eram chamados os Tories, quando eu era garoto—não tiveram chance desde então. Não são mais que restos agora. Todas as classes operárias—uns 99%—eram todas contra eles.”

Percy fitou, mas o outro continuou.

“Depois, houve o Ato da Reforma Presidiária de Macpherson, e a abolição da punição capital; havia o Ato Educacional final de ’59, por onde o secularismo dogmático foi estabelecido; a abolição completa da herança sob a reforma das Obrigações do Falecimento---“

“Eu me esqueço de como era o antigo sistema,” disse Percy.

Primeiro veio o Ato das Heranças, levando à aceitação das doutrinas de Karl Marx em ’89---mas o primeiro veio em ’77.... Bem, todas estas coisas manteve a Inglaterra ao nível do Continente; ela esteve a tempo de se juntar no esquema final do Comércio Livre Ocidental. Houve o primeiro efeito, lembram-se, da vitória dos Socialistas na Alemanha.”

“E como conseguimos ficar fora da Guerra Oriental?” perguntou Percy ansiosamente.

“Ah! Esta é uma longa história; mas, em apenas uma frase, a América nos deteve; assim perdemos a Índia e Austrália. Acho que foi perto da queda dos Comunistas em ’25. Mas Braithwaite saiu bem dessa, conseguindo para nós o protetorado da África do Sul. Ele já era um velho senhor na época, também.

Sr. Templeton parou para tossir novamente. Padre Francis suspirou e se reajustou na cadeira.

“E a América?” perguntou Percy.

“Ah! Foi muito complicado. Mas ela sabia da sua força e anexou o Canadá no mesmo ano. Isto foi quando nós estávamos mais fracos.”

Percy se levantou.

“Vc tem um Guia Geográfico do Mundo, senhor?” ele perguntou.

O velho senhor apontou para a a estante.

“Ali,” disse.

* * * * *

Percy olhou as páginas por um tempo em silêncio, debruçando-as no colo.

“É tudo muito simples, com certeza,” murmurou ele, olhando primeiramente para o mapa de colorido diversificado do começo do século 20 e depois para as grandes extensões do século 21.

Moveu seu dedo pela Ásia. As palavras Império Oriental percorriam sobre a cor amarela pálida, desde os Urais na esquerda ao Estreito de Behring na direita, e seguindo em letras curvas pela Índia, Austrália e Nova Zelândia. Ele olhou para a cor vermelha, era consideravelmente menos, mas ainda importante, considerando que não somente a própria Europa, mas toda a Rússia até os Urais, e a África ao Sul. A região em azul chamada de República Americana cobria uma vasta área

"Sim, é simples," disse o velho senhor secamente.

Percy fechou o livro e colocou ao lado de sua cadeira.

“E depois, senhor? O que acontecerá?”

O velho estadista Tory sorriu.

“Só Deus sabe,” disse ele. “ Se o Império Oriental achar que deve se mover, nós não podemos fazer nada. Não sei porque eles não se mexeram. Suponho que seja devido a diferenças religiosas.”

“A Europa não vai se dividir?” perguntou o padre.

“Não, não. Conhecemos nosso perigo agora. E a América irá certamente nos ajudar. Contudo, para mim, que Deus nos ajude--- ou vocês, eu deveria dizer—se o Império se mexer! Ele sabe de sua força finalmente.”

Houve silêncio por um momento. Houve um certo tremor, como se alguma enorme máquina tivesse passado por cima da larga avenida onde estavam.

“Profecia, senhor,” disse Percy de repente. “Quero dizer religião.”

Sr. Templeton inspirou longamente. Depois, continuou de novo com seu discurso.

“Brevemente,” disse ele, “haverá três forças---Catolicismo, Humanitarismo e as religiões orientais. A respeito desta terceira, eu não consigo profetizar, embora eu ache que os Sufis serão vitoriosos. Qualquer coisa pode acontecer; o Esoterismo está dando grandes passos—e isto significa o Panteísmo; e a mistura das dinastias chinesa e japonesa nos deixa sem previsão. Mas na Europa e na América, não há duvida de que disputa reside entre os dois primeiros. Não podemos negligenciar todo o resto. E, eu acho que se vc quer ouvir o o que eu acho, o Catolicismo vai decrescer rapidamente. É perfeitamente claro que o Protestantismo está morto. Os homens reconhecem finalmente que uma Religião sobrenatural envolve uma autoridade absoluta, e que o Julgamento Privado nas questões de fé, é nada mais que o começo da desintegração. Também é verdade que desde que a Igreja Católica é a única instituição que sempre reclama autoridade sobrenatural, com toda sua lógica impiedosa, ela tem novamente a aliança de praticamente todos os cristãos, que tem ainda alguma crença sobrenatural. Há ainda alguns modistas, especialmente na América e aqui; mas são mínimos.

Tudo está muito bem; mas, por outro lado, devem se lembrar que o Humanitarismo, contrário a todas as expectativas pessoais, está se tornando um religião verdadeira, embora sendo anti-sobrenatural. É o Panteísmo; desenvolvendo um rito sob a Maçonaria; ela tem um credo, “Deus é o Homem,” e o resto. Ela tem, portanto, um verdadeiro alimento, de certa forma, a oferecer aos desejosos; ela idealiza, contudo não exige dons espirituais. Então, eles usam todas as igrejas, exceto a nossa, e todas as Catedrais; e eles estão começando afinal a encorajar sentimento. Assim, eles podem mostrar seus símbolos e nós não podemos: Eu acho que eles se estabelecerão legalmente em dez anos no mais tardar.

“Já, nós Católicos, lembrem-se, estamos perdendo; perdemos bastante por mais de cinquenta anos. Suponho que tenhamos, nominalmente, cerca de 1/40 de toda a América neste momento--- e isto é resultado do movimento Católico no começo dos anos 20. Não estamos em nenhum lugar na França e Espanha; na Alemanha somos poucos. Sustentamos nossa posição no Oriente, certamente; mas mesmo lá não temos mais que 1/200—conforme as estatísticas- e estamos espalhados. Na Itália? Bem, temos Roma de novo para nós, mas nada mais; aqui, nós temos a Irlanda toda e talvez 1/60 da Inglaterra, Pais de Gales e Escócia; mas estávamos com 1/40 há setentas anos.

Então, há um enorme progresso da Psicologia—tudo claro contra nós por pelo menos um século. Primeiro, vejam, houve o Materialismo, puro e simples, mas que tinha algumas falhas--- era muito cru—até que a Psicologia veio para resgatar. Agora, a Psicologia reclama todo o resto do espaço; e o senso sobrenatural parece explicado. Não, padre, estamos perdendo; e devemos continuar a perder, e acho que devemos até estar prontos para uma catástrofe a qualquer momento.”

“Mas---" disse Percy.

"Não vejo esperança. Na verdade, me parece que até mesmo agora algo pode vir sobre nós rapidamente. Não; eu não tenho esperança até que---“

Percy fitou com firmeza.

“Até que nosso Senhor volte,” disse o velho estadista.

Padre Francis suspirou mais uma vez e houve um silêncio.

* * * * *

"E a queda das Universidades?" disse Percy finalmente.

“Meu caro padre, foi exatamente como a queda dos Monastérios sob Henry VIII—os mesmos resultados, os mesmos argumentos, os mesmos incidentes. Houve as fortalezas do Individualismo, como os Monastérios foram as fortalezas do Papado; e eles foram considerados com a mesma admiração e reverência. Depois, a costumeira série de observações começaram a respeito da quantidade de vinho do porto bebido; e de repente, que os companheiros estavam confundindo meios por fins. Depois de tudo, considerando o sobrenatural, as Casas Religiosas são uma óbvia consequência; mas o objetivo da escola secular é presumidamente a produção de algo visível--- ou caráter ou competência; e isto tornou-se completamente impossível provar que as Universidades produziam qualquer um- que valeria a pena ter.

“Sim?” disse Percy.

"Ah, foi patético o bastante. As Escolas Científicas de Cambridge e o Departamento Colonial de Oxford foram a última esperança; e depois estes se foram.

Os velhos professores viviam entre os seus livros, mas ninguém os queria--- eles eram demasiados teóricos; alguns acabavam em asilos, primeira ou segunda faixa; alguns era cuidados por clérigos de instituições de caridade; houve aquela tentativa de se concentrar em Dublin; mas falhou, e as pessoas logo os esqueceram. Os edifícios , como sabem, foram usados por todas as espécies de coisas. Oxford tornou-se um estabelecimento de engenharia por um tempo, e Cambridge uma espécie de laboratório do Governo. Eu estava no King´s College, vocês sabem. Claro que tudo foi bastante horrível--- embora eu esteja grato que eles mantiveram a capela aberta, mesmo como um museu. Não foi agradável ver os altares preenchidos com espécimes anatômicas.”

“O que aconteceu com vc?”

“Ah! Eu estava logo no Parlamento; e eu tinha um pouco de dinheiro meu, também. Mas era muito difícil para alguns deles; eles tinham pequenas pensões, pelos menos todos que tinham trabalhado. E ainda, eu não sei: eu suponho que tinha de vir. Eles eram um pouco mais que sobreviventes pitorescos, vocês sabem; e não tinham a graça de um fé religiosa com eles.”

Percy suspirou novamente, olhando para o rosto levemente humoroso do velho. Então, ele de repente mudou o assunto novamente.

“E sobre este Parlamento Europeu?” ele disse.

O velho continuou.

“Ah!..Eu acho que vai passar.” A tudo que este último século tem nos levado, como vocês podem ver. Patriotismo está morrendo depressa, mas devia ter acabado, como escravidão e assim por diante, sob a influência da Igreja Católica. Como está, o trabalho tem sido feito sem a Igreja; e o resultado é que o mundo está começando a se enfileirar contra nós; é um antagonismo organizado—uma espécie de Igreja Anti-Católica. A democracia tem feito o que a Monarquia Divina deveria ter feito. Se a proposta passar, eu acho que podemos esperar algo como perseguição uma vez mais... Mas, de novo, a invasão oriental pode nos salvar, se ela iniciar... eu não sei...”

Percy sentava-se imóvel por um momento, e daí ele se levantou de repente.

“Eu devo ir, senhor,” ele disse, recaindo em Esperanto. “ São 7 horas da noite. Muito obrigado. Vc vem, padre?”

Padre Francis se levantou também, no terno cinza escuro permitido aos padres, e pegou seu chapéu.

“Muito bem, padre,” disse o velho de novo, “ volte algum dia, caso eu não tenha sido muito prolixo. Eu suponho que vc tem que escrever sua carta ainda?”

Percy confirmou com a cabeça.

“Eu fiz metade dela esta manhã,” ele disse, “ mas eu senti que precisaria fazer uma nova revisão, antes que eu pudesse compreender propriamente; sou muito grato a você por ter dado a mim.É realmente um grande trabalho, esta carta diária para o Cardeal-Protetor. Estou pensando em renunciar se me for permitido.”

“Meu caro padre, não faça isso. Se eu posso lhe ser franco, eu acho que você tem uma mente muito sagaz; e a menos que Roma tenha melhor informação, ela não pode fazer nada. Eu não suponho que seus colegas sejam tão cuidadosos como você próprio.”

Percy sorriu , levantando suas sobrancelhas com reprovação

"Venha, padre," ele disse.

* * * * *

Os dois padres partiram pelos degraus do corredor, e Percy ficou por um minuto ou dois fitando a cena familiar de outono, tentando entender o que aquilo tudo significava. O que ele tinha ouvido escada abaixo, parecia estranho perante a visão de esplêndida prosperidade que estava à sua frente.

O ar estava maravilhoso; com a luz artificial, Londres agora não sabia diferenciar entre o escuro e o claro. Ele permanecia de pé, sob o solo rígido feito de uma preparação de borracha nos quais os passos não faziam barulho. Debaixo dele, ao pé da escada, havia uma fila dupla sem fim de pessoas separadas por uma divisória, indo para direita e esquerda, sem barulho, exceto pelo murmúrio de conversar em Esperanto, que parecia sem fim passarem. Pelo vidro rígido e cristalino da passagem do público, havia um estrada negra e larga significantemente vazia, mas mesmo quando ele estava ali de pé, um som soava ao longe vindo da Velha Westminster, como o som de uma grande colmeia, de repente o som aumentou, e em um instante depois, uma coisa transparente passou rápido, arremetendo-se para o lado leste dos Correios.

Esta era uma estrada privilegiada. Apenas veículos públicos eram permitidos usá-la, e desde que em uma velocidade não superior a cem milhas por hora.

Outros sons eram abrandados nesta cidade de borracha; o transporte de passageiros estava a cem metros dali, e o tráfego subterrâneo ficava muito abaixo que somente uma pequena vibração se poderia sentir. Os técnicos do Governo estavam trabalhando nos últimos 20 anos para eliminar a vibração e o som dos veículos comuns.

Antes que ele se mexesse, houve um som por cima, surpreendentemente bonito e agudo, e, ao levantar os olhos , ele viu de frente para as nuvens iluminadas, um longo e fino objeto, brilhando com uma luz suave, deslizar-se para o norte e desparecer. Aquele som musical era de uma linha europeia de Volors, anunciando sua chegada na capital da Grã Bretanha.

“Até que Nosso Senhor volte, “ pensou ele consigo mesmo, e por um instante a velha tristeza apunhalou seu coração. Com era difícil manter o os olhos focados naquele horizonte ao longe, quando o mundo ali estava à sua frente, tão chamativo no seu esplendor e na sua força! Oh, ele tinha discutido com o Padre Francis há uma hora que tamanho não é o mesmo que grandeza, e que uma imagem externa insistente não poderia excluir uma imagem sutil interior; e ele tinha acreditado com grande esforço, clamando de seu coração para que o Pobre Homem de Nazaré o mantivesse com o coração de uma criança.

Então, cerrou seus lábios, se perguntando por quanto tempo Padre Francis poderia suportar a pressão, e desceu a escada.

FIM DO PRÓLOGO

PRÓXIMO CAPÍTULO - O ADVENTO.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Petróleo não é um combustível fóssil

Petróleo não é um combustível fóssil

“Todos nós somos filhos das estrelas”


Cientistas da KTH, Real Escola Técnica Superior de Estocolmo, a maior universidade técnica da Suécia, confirmaram que fósseis de animais e plantas não são necessários para formar petróleo e gás natural. Este resultado significa uma mudança radical na suposição sobre a origem do petróleo. E significa também que torna-se mais fácil encontrar essa fonte de energia e ela pode aparecer em qualquer parte do mundo.



Royal Institute of Technology


O resultado de sua pesquisa confirma as afirmações de meu artigo de agosto de 2008, “Qual crise energética?”, onde eu expliquei que petróleo não é criado a partir de seres vivos, mas sim é produzido permanentemente na crosta terrestre, o chamado petróleo abiótico.


“Com ajuda de nossa pesquisa nós sabemos até onde se pode encontrar petróleo na Suécia!”, disse Vladimir Kutcherov, professor do departamento da KTH para tecnologia energética em Estocolmo.


Juntamente com dois colegas pesquisadores, professor Kutcherov simulou o processo de pressão e aquecimento que aparece naturalmente na crosta terrestre. Este processo produz hidrocarboneto, o elemento fundamental em petróleo (hidrocarboneto pastoso – NR) e gás natural (hidrocarboneto gasoso – NR).


Segundo Kutcherov, estes resultados representam um claro sinal que as fontes de petróleo não podem secar, o que era temido há muito tempo pelos pesquisadores e peritos desta área.


Ele complementa que é impossível para o petróleo fóssil ter se infiltrado até 10,5 km de profundidade, apenas devido à força da gravidade, a exemplo do Golfo do México. Isso significa, segundo Kutcherov, juntamente com os resultados de suas próprias pesquisas, um outro exemplo de como esta fonte de energia aparece sem a presença de fósseis – algo que desencadeou um caloroso debate por muito tempo entre os cientistas.


“Não existe mais dúvidas, nossa pesquisa mostrou que petróleo e gás natural podem aparecer sem adição de fósseis. Toda formação rochosa pode ser o local de depósito de petróleo” , declarou Kutcherov e acrescenta que isso serve para regiões onde até então permaneciam inexploradas para essa forma de energia.


Esta descoberta tem vários aspectos positivos. As chances de sucesso na descoberta de petróleo subirão drasticamente – de 20 para 70%. Como a procura por petróleo e gás natural é extremamente cara, os custos das petrolíferas cairão radicalmente e conseqüentemente para os consumidores.


“Isso significa a economia de bilhões de Coroas” , declarou Kutcherov.


Para identificar um local promissor para perfuração, o professor Kutcherov desenvolveu um novo método através de sua pesquisa. O mundo é dividido em uma fina rede comunicante. Esta rede pode ser equiparada às fendas da Terra, conhecidas como “canais fluviais” através das camadas da crosta terrestre. Um bom local para efetuar uma perfuração é aquele onde as fendas se tocam.


Segundo o professor Kutcherov, os resultados são muito importantes, pois pelo menos 61% do consumo mundial de energia é coberto com petróleo e gás natural.


O próximo passo são vários experimentos, especialmente para refinar os métodos que facilitarão os pontos corretos para locação das perfurações.


Os resultados da pesquisa de Vladimir Kutcherov, Anton Kolesnikov e Alexander Goncharov foram publicados naNature Geoscience, Volume 2.


Como eu publiquei em meu artigo sobre o petróleo abiótico, o petróleo não é originário de matéria orgânica, fóssil de plantas e organismos vivos. Petróleo origina-se através de um processo químico sob pressão e calor na crosta terrestre, e sempre aparece. Petróleo existe em abundância, nós flutuamos em petróleo e ele nunca pode extinguir.


Os russos já descobriram isso há mais de 70 anos, quando eles determinaram para própria surpresa que seus campos petrolíferos voltavam a se encher naturalmente. Por isso eles desenvolveram uma técnica especial para perfurar até 13 km. Eles descobriram que pode-se encontrar petróleo praticamente por toda parte, basta perfurar profundamente.


As melhores chances obtêm-se onde as placas tectônicas se encontram ou onde a terra se divide. Ali o petróleo produzido nas profundezas encontra seu caminho para cima e preenche os poros das rochas ou sedimentos, sendo então extraído pelo homem.


Ou seja, o petróleo flui para as camadas da Terra não de cima para baixo, mas de baixo para cima, pois é mais fácil e se acumula um pouco antes da superfície terrestre.


Isso é confirmado claramente, pois todas as grandes e importantes reservas petrolíferas estão em cima ou próximas aos abismos e divisões como o abismo africano, que vai do centro da África em Uganda, passando sobre o Quênia, Sudão e Etiópia e então continua sobre o Mar Vermelho para o Yêmem, Arábia Saudita, Iraque, Irã, até o Mar Cáspio. Ao longo dessa linha existem gigantescas reservas de petróleo e gás natural.


Como eu relatei aqui, segundo novas descobertas, Uganda tem mais petróleo do que a Arábia Saudita. Meus artigos sobre fontes petrolíferas muito prósperas como Haiti e Cuba (será que os EUA já sabem disso?) confirmam minha tese, pois os terremotos lá estão, porque as placas tectônicas se movem e existem fendas geológicas.


Aquilo que as petrolíferas, geólogos, acadêmicos e mídia nos dizem, que o petróleo tem origem orgânica e se desenvolveu uma vez na história da Terra há 500 milhões de anos, é completamente falso. Na realidade, esta teoria biótica nunca foi comprovada, mas sim aceita como correta, sem verificação, nos últimos cem anos. É um erro tremendo ou na realidade, uma desinformação propagada conscientemente.


Por isso não existe tal chamado “Peak Oil”. Isso é uma lenda que as petrolíferas inventaram e muitos propagadores de pânico utilizam para anunciar um próximo final da era petrolífera. O motivo das petrolíferas é sabidamente passar a impressão que ele se torna raro e útil, por isso caro. Mas ele está presente em abundância e por isso poderia ser mais barato. Mas isso seria muito ruim para os negócios. O mesmo jogo acontece no caso dos diamantes. Eles existem aos montes, mas são mantidos escassos artificialmente para produzir um preço maior.


Ambos, petróleo e diamante são materiais carbônicos, um dos elementos mais abundantes na Terra e em nosso sistema solar. O carbono existe por toda parte, em sua maioria no interior da Terra. Nós, seres humanos, todos os seres vivos e as plantas são de carbono, que originalmente apareceu em uma estrela extinta há muito tempo, conseqüência de uma Super-Nova. Todos nós somos filhos das estrelas.


Por isso o petróleo e o gás natural não definitivamente um combustível fóssil que logo vai acabar, mas sim um presente que a Terra produz continuamente. E como eu escrevi no artigo sobre o Haiti, o imperialismo norte-americano não quer se apossar do petróleo com suas guerras e conquistas, mas sim ter o controle sobre as regiões produtoras, pois o petróleo deve ser mantido no interior do planeta e vir ao mercado somente aquela quantidade que eles determinarem. Trata-se do monopólio da energia, exatamente como De Beers manipula o mercado de diamantes.


Nota: Petróleo e gás natural existem também na Suíça. Por exemplo, na região de Basel, lá onde se inicia o “abismo” do Reno e no Mar de Genebra.


fonte: inacreditavel.com.br