segunda-feira, 23 de março de 2009

Revisitando a 2ª Guerra Mundial

A 2ª Guerra Mundial não foi somente o maior conflito militar da história, foi também a mais importante guerra do século 20 para os Estados Unidos. Trouxe mudanças permanentes no lado social, governamental e cultural, e teve um grande impacto em como os americanos se vêem a si próprios e o lugar do seu país no mundo.

Esta guerra global – com os Estados Unidos e outros aliados de um lado e a Alemanha Nazista, o Japão e outros países do “Eixo” de outro – é comumente retratada nos EUA como a “a boa guerra”, um conflito bem definido moralmente entre o Bem e o Mal.

Dwight Eisenhower, supremo comandante das forças americanas na Europa, e mais tarde Presidente americano por 8 anos, chamou a luta contra a Alemanha Nazista de “A Grande Cruzada”. Presidente Bill Clinton disse que na 2ª Guerra, os Estados Unidos “salvaram o mundo da tirania”.

Embora os americanos de hoje tenham suas dúvidas e críticas sobre o papel do seu país no Iraque, no Vietnã, a maioria aceita que os sacrifícios feitos pelos EUA na 2ª Guerra, especialmente na derrota da Alemanha de Hitler, foram inteiramente justificados e valeram a pena.

Mas será que o retrato do papel dos Estados Unidos na Guerra é assim tão preciso e válido? Vamos examinar isto de perto, sem parcialidade ou viés.

Primeiro, vamos começar pelo início da guerra na Europa.

Quando os líderes da Inglaterra e França declaram guerra contra a Alemanha em 3 de setembro de 1939, ele anunciaram que o estavam fazendo pelo fato de que o exército alemão havia atacado a Polônia, assim ameaçando a soberania polonesa. Entrando em guerra contra a Alemanha, os lideres britânicos e franceses transformaram o que era então uma rusga de dois dias, geograficamente limitada, entre a Alemanha e a Polônia em um conflito continental, de amplitude européia.

Logo ficou óbvio que a justificativa franco-britânica para entrar em guerra não foi sincera. Quando as forças soviéticas atacaram a Polônia pelo leste, duas semanas depois, e obtendo até mesmo mais território que fez a Alemanha, os líderes da Inglaterra e França não declararam guerra contra a União Soviética. E embora a Inglaterra e França entraram em guerra, supostamente para proteger a independência polonesa, ao final da guerra em 1945 – depois de 5 anos e meio de lutas sangrentas, morte e sofrimento – a Polônia não estava livre, e sim sob inteiro e brutal domínio por parte da Rússia Soviética.

O historiador militar britânicos, Sir Basil Lidell Hart escreveu:

“As forças aliadas entraram na guerra com dois objetivos. O propósito imediato era cumprir a promessa de preservar a independência da Polônia. O segundo objetivo e mais importante, na verdade, era o de remover um ameça potencial para si próprios e manter sua segurança. No resultado final, eles falharam em ambos os propósitos. Não somente eles falharam em evitar que a Polônia fosse ocupada e dividida entre a Alemanha e Rússia, mas após seis anos de guerra, que terminou em uma vitória aparente, eles foram forçados a aceitar o domínio da Rússia sobre a Polônia – deixando de cumprir a promessa de proteger os poloneses que lutaram ao lado deles.

Em 1940, logo após ser nomeado primeiro-ministro, Winston Churchill declarou em dois discursos, suas razões para continuar com a guerra contra a Alemanha. No seu famoso discurso “Sangue, Suor e Lágrimas”, o grande líder britânico disse que, a menos que a Alemanha fosse derrotada, não haveria sobrevivência para o império britânico. Em outro discurso, Churchill disse que “desta batalha, dependia a sobrevivência da civilização cristã e a continuidade de nossas instituições e de nosso Império.”

Como estas palavras soam estranhas nos dias de hoje. Mesmo que a Grã-Bretanha supostamente “tenha ganho a guerra”, ou pelo menos tenha estado do lado vencedor, o outrora império britânico desapareceu na história. Nenhum líder britânico hoje ousaria defender os fatos ocorridos durante o imperialismo britânico, incluindo mortes e ataques a fim de manter o domínio explorativo colonial sobre milhões na Ásia e África.

Os americanos gostam de acreditar que “os mocinhos” ganham e que os “vilões” perdem, e , em assuntos internacionais, que os “bons países ganham as guerras, e os “maus” países perdem. Com esta visão, os americanos são encorajados a acreditar que o papel americano na derrota da Alemanha e Japão, demonstraram a virtuosidade do “American Way”, e a superioridade do país em sua forma de governo e de sua sociedade.

Mas se houvesse alguma validade nesta visão, seria mais preciso dizer que o resultado da guerra mostrou a virtuosidade e superioridade da forma de governo e da sociedade soviética comunista. Na verdade, por décadas, isto foi vangloriado pelos líderes de Moscou. Assim dizia um livro oficial da história soviética, publicado nos anos 70:

“A guerra demonstrou a superioridade soviética e o sistema estatal...A guerra demonstrou, a seguir, a unidade política e social do povo soviético...O partido comunista agregou milhões de pessoas na luta contra os fascistas agressores.. .

De fato, a Alemanha de Hitler foi derrotada, principalmente pela União Soviética. Cerca de 70 a 80% das forças de combate alemãs foram destruídas pelo exército soviético na frente russa. O famoso desembarque do Dia D na França por forças americanas e britânicas, que é muitas vezes reconhecida nos Estados Unidos como ataque decisivo contra a Alemanha, foi realizado em Junho de 1944 – isto é , menos de um ano antes do final da guerra na Europa, e meses depois das grandes vitórias soviéticas em Stalingrado e Kursk, que foram decisivas na derrota alemã.

Quais eram os objetivos americanos na 2ª Guerra Mundial, e qual o sucesso alcançado por eles?

Em 1941, o presidente Franklin Roosevelt, junto com o Winston Churchill, emitiu uma declaração formal dos objetivos de guerra aliados. Nesta declaração, os Estados Unidos e Inglaterra declaravam que “não ambicionavam mudanças territoriais que não estivessem de acordo com os desejos expressos e livres dos povos referidos, que respeitariam os direitos das pessoas de escolherem suas formas de governo sobre as quais quisessem viver, e que se esforçariam para restaurar a soberania e o governo daqueles que tivessem sido forçadamente destituídos.”

Logo se tornou claro, contudo, que esta promessa solene de liberdade para todos os povos era um pouco mais que propaganda vazia. Nada surpreendente, visto que os dois maiores aliados militares dos Estados Unidos na guerra eram a Grã Bretanha e a União Soviética – isto, o maior poder imperialista do mundo e a maior tirania do mundo.

No romper da guerra em 1939, a Grã Bretanha era o maior império colonial da história, subjugando milhões de pessoas contra sua vontade do que qualquer outro regime antes ou até aquele momento. Este vasto império incluia o que agora é a Índia, Paquistão, Bangladesh, Malásia, Nigéria, Gana, Quênia, Uganda, Tanzânia e África do Sul

O outro aliado americano, a União Soviética, era, sem sombra de dúvida ou comparação, o regime mais tirânico e opressivo de sua época, e um despotismo vastamente mais cruel que a Alemanha de Hitler. Os historiadores reconhecem que as vítimas do ditador soviético Stalin, em grande número, superam aquelas que pereceram pelas políticas de Hitler. Robert Conquest, historiador proeminente da Rússia do século XX, estima que o número daqueles que perderam suas vidas, como consequência das políticas de Stalin, seja não menos que 20 milhões.

Durante a guerra, os Estados Unidos ajudaram substancialmente a manter a tirania de Stalin e a opressão soviética contra milhões de Europeus, enquanto que também ajudava os britânicos a manter ou a re-estabelecer seu domínio imperial sobre milhões na Ásia e África.

Paul Fussel, um professor da Universidade da Pensilvânia, que serviu na 2ª Guerra, como tenente do exército americano, escreveu em seu aclamado livro Wartime, que a guerra dos aliados tem sido sanitizada e romantizada a um nível além do normal pelos sentimentais, pelos loucos patriotas, pelos ignorantes e pelos sedentes de sangue.”

Um importante aspecto desta visão “sanitizada” é a crença de que enquanto o regime nazista foi responsável por muitas e atrocidades e crimes de guerra, os Aliados, e especialmente os Estados Unidos, lutou a guerra com humanidade. Na verdade, o registro dos crimes dos aliados é extenso,e inclui o bombardeiro anglo-americano de cidades alemãs, em uma campanha terrorista que tomou as vidas de mais de meio milhão de civis, a limpeza étnica de milhões de civis no leste europeu e Europa Central, e o amplo mal tratamento de prisoneiros alemães no pós-guerra.

Logo após o final da guerra, os vencedores colocaram os líderes alemães em julgamento por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Em fazendo assim, os Estados Unidos e seus aliados levaram os líderes alemães a um patamar que eles não respeitavam eles próprios.

Robert Jackson, da Corte Suprema dos Estados Unidos, em uma carta ao Presidente, escrita enquanto ele servia como promotor chefe americano no famoso julgamento de Nuremberg de 1945 a 1946, reconhecia que os Aliados “fizeram ou

estão fazendo algumas das mesmas coisas pelas quais estamos julgando os alemães.O franceses estão violando a Convenção de Genebra no tratamento de prisoneiros alemães, que nosso comando está tomando de volta os prisoneiros enviados a eles. Afirmamos que a guerra agressiva é um crime e um de nossos aliados está assegurando a soberania sobre os países bálticos, baseado em nada a não ser conquista.”

“... Entre os crimes contra a humanidade estão o indiscriminado bombardeio de populações civis. Podem os americanos, que jogaram a bomba atômica e os britânicos, que destruíram cidades alemãs, pleitear inocência, neste aspecto? Crimes contra a humanidade também incluíam-se a expulsão em massa de populações. Pode os líderes anglo-saxões, que na Conferência de Potsdam permitiram a expulsão de milhões de alemães de seus lares,declararem completamente inocentes?

Uma outra presunção popular americana é de que os inimigos do país na guerra eram todos ditaduras ou países não democratas. Na verdade, em cada lado havia regimes que eram repressivos e ditatoriais, assim como governos que tinham amplo apoio popular. Muitos dos países aliados dos EUA eram chefiados por governos que eram opressivos, ditatoriais ou não democratas. A Finlândia, um república democrata, foi um importante aliado da Alemanha de Hitler.

Em uma crassa violação do que amplamente proclamavam, os estadistas americanos, britânicos e soviéticos dispuseram sobre o destino de dezenas de milhões de pessoas sem se preocupar com seus desejos. A falsidade e o cinismo dos líderes aliados foi talvez o mais clamoroso no infame “acordo de porcentagens” anglo-soviético para dividir o sul e leste europeu. Em um encontro com Stalin em 1944, Churchill propõs que na Romênia, os soviéticos teriam 90% de influência ou autoridade e 75% na Bulgária, e que os britânicos teriam 90% de influência ou controle na Grécia. Na Hungria e Iugoslávia, o líder britânico sugeriu que cada um teria 50%. Churchill escreveu tudo isto em um pedaço de papel, que ele passou a Stalin, que fez uma marca de concordância e passou de volta. Churchill então disse, Pode não parecer que seja um tanto cínico termos disposto destes assuntos, tão fatídicos para milhões de pessoas, em uma maneira tão espontânea? Vamos queimar este papel.” “Não, você guarda,” respondeu Stalin.

Para sacramentar a coalizão aliada de guerra – que foi conhecida formalmente como as “Nações Unidas” - Roosevelt, Churchill e Stalin se encontraram em duas ocasiões: em novembro de 1943 em Teerã, no ocupado Irã, e em Fevereiro de 1945 em Yalta, na Criméia Soviética. Os três líderes realizaram o que eles haviam acusado os líderes do Eixo, Alemanha, Itália e Japão, de conspirar para querer dominar o mundo.

O líderes aliados estabeleceram a organização das Nações Unidas para ser uma força policial permanente. Uma vez que Alemanha e Japão foram derrotados, contudo, os Estados Unidos e a União Soviética ficaram se vigiando e se comparando, que acabou ficando impossível para a ONU funcionar como o Presidente Roosevelt tinha imaginado. Enquanto estes dois países procuraram por décadas assegurar hegemonia em sua própria esfera de influência, as duas “superpotências” foram também rivais por uma luta de décadas de duração para a supremacia global.

Os Estados Unidos oficialmente entraram na 2ª Guerra após o ataque japonês da base naval de Pearl Harbor no Havaí, em 7 de dezembro de 1941. Até então, os Estados Unidos era um país neutro, e a maioria dos americanos queria ficar longe da guerra, que então grassava a Europa e Ásia. A despeito do status de neutralidade do país, Roosevelt e seu governo, assim como a maior parte da mídia americana, cutucava o povo americano para apoiar a guerra contra a Alemanha. Uma grande campanha de propaganda foi criada para convencer os americanos que Hitler e seus comparsas nazistas estavam fazendo de tudo para assumir e escravizar o mundo inteiro, e que aquela guerra com a Alemanha era inevitável.

Como parte deste esforço, o presidente e outros oficiais graduados americanos transmitiam fantásticas mentiras sobre os supostos planos de Hitler e seu governo para atacar os Estados Unidos e impor uma ditadura global.

O eminente historiador americano Thomas Bailey escreveu:

“Franklin Roosevel repetidamente enganava o povo americano durante o período anterior a Pearl Harbor... Ele era como o médico que deve dizer ao paciente mentiras para o próprio bem do paciente... O país era enormemente não-intervencionista até o dia de Pearl Harbor, e uma ampla tentativa de liderar o povo para uma guerra resultaria em fracasso certo e quase certo tiraria Roosevelt em 1940, com uma completa derrota de seus mais objetivos finais.”

Como parte da campanha do governo para ir à guerra, Roosevelt em 1941 ordenou que a marinha americana ajudasse as forças britânicas no ataque a navios alemães no Atlântico. Isto foi reforçado pela ordem “atirar ao avistar” para a marinha americana contra os barcos alemães e italianos. O objetivo de Roosevelt era provocar um “incidente” que pudesse criar um pretexto para entrar em guerra. Hitler, de sua parte, queria evitar conflito com os Estados Unidos. O líder alemão respondeu às provocações ilegais do governo americano, ordenando que seus comandantes evitassem conflitos com navios americanos.

Além disso, Roosevelt também ordenou, mesmo na suposta neutralidade, apreender embarcações do Eixo, o congelamento de fundos do Eixo e a transferência de navios tanques para a Inglaterra, a ocupação da Groelândia e depois da Islândia.

Ao final da guerra, os Estados Unidos emergiu como a maior potência econômica, militar e financeira do mundo. Para os EUA, o meio século entre 1945 e a metade dos anos 90, foi uma era de espetacular crescimento econômico.

Mas os americanos estariam melhor se tivessem ficado fora d 2ª Guerra? Entre aqueles que não pensam assim, há o professor Bruce Russet, que escreveu:

“Eu pessoalmente acho difícil de criar uma preferência muito enfática por uma Rússia Stalinista do que uma Alemanha Hitlerista... Em termos realistas, o nazismo como ideologia era com certeza menos perigoso para os Estados Unidos do que o Comunismo.”

Entre aqueles que não ficaram felizes a respeito do resultado da guerra, era o historiador Basil Lidell Hart, que escreveu:

“... Todo os esforços que foram feitos para a destruição da Alemanha Hitlerista, resultou em uma Europa devastada e enfraquecida no processo, que seu poder de resistência foi muito reduzido ante a uma ameaça muito maior – e a Grã-Bretanha, da mesma forma que seus vizinhos europeus. Tornou-se um pobre dependente dos Estados Unidos. Estes são os duros fatos, que sobrevieram da vitória, que foi tanto perseguida e tão dolorosamente alcançada.

Até mesmo Churchill ficara desapontado com o resultado da guerra. Três anos depois do final da luta, ele escreveu:

“ A tragédia humana da guerra alcança seu clímax no fato que após todos os esforços e sacrifícios de centenas de milhões de pessoas e das vitórias da Causa Justa, nós ainda não encontramos a paz e a segurança e que estamos diante de maiores perigos do que aqueles que nos havia atingido.”

Ao final da guerra, a Europa, pela primeira vez na sua história, não era mais dona de seu próprio destino, mas ao invés disto, estava sob o domínio de duas grandes potências não européias – os Estados Unidos e a União Soviética, que por razões políticas e ideológicas não tinham interesse especial, ou preocupação pela cultura européia ou pela civilização ocidental.

Na visão de Charles Lindbergh, o famoso aviador, a guerra foi um grande revés para o Ocidente.Vinte e cinco anos após a final do conflito, ele escreveu:

“Ganhamos a guerra do ponto de vista militar; mas em um sentido maior, parece-me que a perdemos, pois nossa civilização ocidental é menos respeitada e segura do que era antes. A fim de derrotar a Alemanha e o Japão, nós apoiamos ainda maiores ameaças (Rússia e China), que agora nos confrontam na era de armamentos nucleares. A Polônia acabou não sendo salva... muito da cultura ocidental foi destruída. É alarmante possível que a 2ª Guerra possa marcar o início da queda da civilização ocidental, como já marca a queda do maior império já construído pelo homem.”

Recentemente, os líderes políticos americanos tentaram obter apoio popular para guerras contra Iraque e Irã, fazendo paralelos históricos entre Hitler e os líderes destes países do Oriente Médio.

Muitos americanos ficaram ultrajados pelas falsidades do Presidente George W. Bush e se governo ao procurar apoio da população para a invasão do Iraque em 2003. Mas como vimos, a decepção com um presidente para justificar entrar e um guerra não começou com ele. Os americanos que expressam sua admiração pelo papel dos EUA na 2ª Guerra, e pela liderança presidencial de Franklin Roosevelt, não têm muito direitos morais para reclamar quando presidentes seguem o seu exemplo e levam o país para uma guerra ao romper com a lei, subvertendo a Constituição e mentindo para as pessoas.

Isto talvez seja o legado mais danoso da mitologia nacional dos Estados Unidos sobre a 2ª Guerra Mundial – a noção de que guerras justificáveis são feitas contra países chefiados por supostos regimes do “mal”. E isto foi a própria visão que moveu George W. Bush a se referir à sua “guerra contra o terrorismo”, como uma “cruzada”, e em um discurso, a proclamar uma política externa americana dedicada a “acabar com a tirania no mundo”.

Uma nação deve ir à guerra não somente após prudentes considerações, depois de cuidadosamente pesar as possíveis consequências, e somente por razões extremamente necessárias e após todas as alternativas tenham sido desconsideradas e como último recurso. Isto é especialmente verdadeiro hoje com o poder destrutivo do arsenal moderno e porque, como na 2ª Guerra, a “boa guerra”, que tragicamente atestou – guerras raramente acabam da maneira que se prevê.


Fonte: IHR – Mark Weber, Califórnia, 24/maio/2008.



sábado, 21 de março de 2009

A Ciência para se tornar Rico


Uma pessoa chamada Wallace Wattles escreveu um livro chamado The Science of Getting Rich no início do século 20,  por volta de 1910. Este livro permaneceu no esquecimento até que algumas pessoas passaram a divulgá-lo na Internet. Meu desejo aqui é colocar alguns trechos, alguns fragmentos, que possam resumir rapidamente a sua teoria. Serão vários posts. Começaremos hoje com o Capítulo 1.

Capítulo 1 - O direito de ser Rico.
Não é possível viver uma vida completa ou vida de sucesso a menos que você seja rico.

O objetivo de toda a vida é o seu desenvolvimento; e tudo que vive tem o direito inalienável a todo o desenvolvimento e crescimento que seja capaz de conseguir.

O ser humano tem direito de ter e usar todas as coisas que sejam necessárias para o seu completo desenvolvimento espiritual, físico e mental; ou, em outras palavras, seu direito de ser rico.

Nenhuma pessoa deve ficar satisfeita com o pouco se ele pode ser capaz de ter mais e desfrutar mais. O propósito da Natureza é o avanço e o desenvolvimento da vida e toda a pessoa deve ter tudo que possa contribuir para o poder, a elegância, a beleza e riqueza da vida; estar satisfeito com menos ou com pouco é pecado.

A vida de hoje está tão avançada e tornou-se tão complexa, que mesmo o homem ou a mulher mais comum precisa de bastante riqueza a fim de que possa viver de um modo que possa se aproximar à plenitude.

O sucesso na vida é torna-se o que você quer ser; você pode se tornar o que você quiser ser  apenas fazendo uso das coisas , e você pode ter estas coisas somente quando você se tornar rico o bastante para comprá-las.

A pessoa que não deseja  viver com mais abundância é anormal, como a pessoa, que não deseja ter dinheiro suficiente para comprar tudo que quiser, é anormal.

Existem três motivos pelos quais vivemos: vivemos para o corpo, vivemos para a mente e vivemos para a alma. Nenhum destes é melhor ou mais sagrado que o outro. E nenhum dos três, corpo, mente a alma podem estar na plenitude se qualquer um deles tenha sua expressão abreviada. Não é certo ou nobre viver somente para a alma e negar corpo e mente e assim como é errado viver para o intelecto e negar corpo e alma. E já sabemos as consequências de se viver pensando apenas no corpo e desprezando mente e alma.

O ser humano não pode viver em plenitude através de seu corpo sem boa comida, roupas confortáveis e um abrigo; e sem liberdade de excessivo trabalho. Descanso e divertimento são também necessários para sua vida física.

Ele também não pode vivem por completo em sua mente sem livros e tempo para estudá-los, sem a oportunidade de viajar e observar, ou sem uma companhia intelectual. Ele deve se cercar de objetos de arte e beleza que possa apreciar e usar.

Para viver plenamente pela alma, pelo espírito, o ser humano deve amar. e o amor é expressão negada pela pobreza. A maior felicidade do homem e da mulher é aquela em que ele presta benefícios a aqueles que ele/ela amam. O homem ou a mulher que não tem nada a dar, não pode preencher seu lugar como marido/esposa ou pai/mãe, e como cidadão.

Desta forma, você deve dar toda sua atenção para a Ciência para se tornar Rico, pois ela é o mais nobre e o mais necessário de todos os estudos. Se você negligenciar este estudo, você estará sendo omisso no dever para consigo próprio, para Deus e para a humanidade, pois você pode prestar a Deus e à humanidade nenhum outro maior serviço do que fazer o máximo de você mesmo.

Espero que tenham gostado. Até o 2º Capítulo.




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Jesse Owens: Mito ou Realidade


Jesse Owens, aquele atleta negro americano que ganhou 4 medalhas de ouro na Olimpíada de 1936 em Berlim, Alemanha, morreu em 1980 com 66 anos. Como aconteceu por toda a sua vida, seu falecimento foi usado pelas grandes redes de TV e imprensa para espalhar falsidades, que ganharam grande aceitação pelo público, pela sua repetição durantes os anos. Com a nomeação de uma rua de Berlin com o nome de Owens em 1984, houve nova oportunidade para que a mídia voltasse a repetir aquelas inverdades. Um exemplo disto foi a reportagem de um programa Notícias da Noite da NBC americana em 4 de março de 1984.

Os mitos, que são geralmente aceitados como fatos, dizem que Adolf Hitler ficara furioso quando Owens ganhava, que Hitler se recusara a apertar as mãos de Owens porque ele era negro, que os alemães ficaram desconcertados, porque as vitórias de Owens contradiziam as idéias germânicas sobre diferenças de raça, e assim por diante.

Na verdade, Owens foi tão bem aclamado pelos berlinenses, como qualquer outro alemão. O próprio Owens disse em uma ocasião que, enquanto ainda estava na estádio, ele olhara para a direção de Hitler: “Quando passei por ele, ele se levantou, acenou para mim e eu acenei de volta para ele.”

Quanto à alegada recusa em cumprimentá-lo, os fatos dizem um história diferente do que se geralmente se fala. Hitler estava em seu lugar determinado no 1º dia de competição, quando Hans Woellke quebrou o recorde olímpico em arremesso de peso e, com isso, tornou-se o 1º alemão a ganhar um campeonato de atletismo de campo e pista. A pedido de Hitler, Woellke e o 3º colocado, um outro alemão, foram levados até ele para receber os cumprimentos pessoais do chanceler.

Logo após, Hitler pessoalmente cumprimentou 3 filandeses que ganharam medalhas no corrida de 10.000 metros. Depois, mais duas alemãs que ganharam o 1º e 2º lugar no arremesso de dardo. O único outro evento programado naquele dia foi o salto em altura, que estava atrasado. Quando todos os atletas alemães foram eliminados, Hitler deixou o estádio já às escuras e com a chuva ameaçando cair e acabou assim não estando presente para cumprimentar os 3 medalhistas – todos dos Estados Unidos, e dois deles eram negros.

Hitler saiu porque já era tarde e não porque ele queria evitar cumprimentar alguém. Além disso, no momento em que Hitler saiu, ele não poderia saber se os vencedores seria brancos ou negros. O Conde Baillet-Latour, presidente do Comitê Olímpico Internacional, enviara comunicado ao líder alemão que, como convidado de honra dos Jogos, ele não necessitava cumprimentar ninguém. Assim, quando Jesse Owens ganhou o final dos 100 metros no dia seguinte, ele não foi publicamente cumprimentado por Hitler – nem qualquer outro medalhista que ganharia nos eventos seguintes.

Qualquer noção de que os alemães ficaram “embaraçados” com as vitórias dos não-brancos nos Jogos de Berlim é ridícula. Jesse Owens foi proeminentemente mostrado em Olympia, o documentário oficial alemão dos Jogos. Esta obra-prima de Leni Riefenstahl também devota ampla atenção para muitos outros não-brancos, incluindo-se grandes atletas japoneses. O mesmo acontece no livro de fotos oficial alemão, comemorando os Jogos, o Die Olympischen Spiele de 1936, onde Jesse Owens aparece por 7 vezes – mais do que qualquer outro atleta – e reconhecidamente referido como o “ o homem mais rápido do mundo.” Uma grande foto do livro mostra a gravação dos nomes dos vencedores no granito do estádio – e destacado na foto está: “Owens U.S.A.”

A despeito dos grandes feitos de Jesse Owens, e de outros atletas de todas as raças, a Alemanha ganhou mais medalhas de ouro do que qualquer outro país, assim “ganhando” as Olimpíadas – um fato que geralmente é ignorado quando se discutem os Jogos de 1936.

Em uma carta de 14 de março de 1984, para o Diretor da Televisão ZDF Alemã, , o ex-atleta Waither Tripps protestou contra uma falsa reportagem de que Hitler não cumprimentou publicamente Owens porque ele era negro. Tripps foi um famoso corredor nos Jogos de 1936. Depois de enviar sua carta de protesto, Tripps disse depois que, após os Jogos, Hitler convidou todos os vencedores olímpicos, incluindo Owens, para uma recepção na Chancelaria do Reich. Hitler pessoalmente congratulou e apertou as mãos de cada um dos medalhistas, incluindo Owens, que, depois, confirmou isto em várias ocasiões.

Traduzido de um artigo de Mark Weber, do Instituto para a Revisão Histórica, Fevereiro de 2009.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

A crise americana em "brasileiro"


 
Esta é a melhor forma de entender o que aconteceu. De uma clareza fantástica.

 

Explicação da crise americana ao melhor estilo do 'brasileiro'.


Tradução da crise do subprime


É assim, ó:

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender
cachaça 'na caderneta' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase
todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço
da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços
pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em
curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar
constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro
ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais
recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS
ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o
que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de
capítais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F,
cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu
Biu ).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos
sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm
dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E
toda a cadeia vai discarga abaixu.


 

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Como será nosso novo RG.

O novo documento de identidade vai ter modelo e tamanho de um cartão de crédito. A maior novidade é o chip, que vai armazenar todas as informações da pessoa, tais como cor da pele, altura e peso, além de informações trabalhistas, previdenciárias, criminais e o que mais for necessário.
Com a implantação do AFIS (sigla em inglês do Sistema Automático de Identificação de Impressões Digitais) no Instituto Nacional de Identificação (INI) da Polícia Federal, a intenção é gerar um número nacional para todos os brasileiros.
Hoje, cada órgão que cuida do assunto nos estados produz um número diferente de carteira de identidade, o que possibilita uma pessoa a emitir o documento em diferentes regiões.
Agora, as impressões digitais não serão mais no método 'dedão na tinta', mas sim escaneadas, e as informações serão enviadas para um banco de dados do INI, que fará um único banco de dados, alimentando o AFIS. Então, a partir de 2009, essa será a nossa nova carteira de identidade (vide abaixo ou em anexo), que deixa de ser RG para ser chamada de 'RIC' (Registro de Identidade Civil):
 


novo RG
Imagem na Web: http://www.webmais.com/a-nova-carteira-de-identidade-dos-brasileiros/


 

As informações não são registradas com uma tinta, então nenhum reagente químico pode alterá-la; todos os dados são gravados a laser no corpo do documento.
Além do mais, itens de segurança como dispositivo anti-scanner, imagens ocultas e palavras impressas com tinta invisível, fotografia e impressão digital a laser e a possibilidade de armazenar no chip diversas informações do portador, vem a ser o grande diferencial do novo documento.


A proposta é que, em nove anos todos os brasileiros tenham o novo registro, que vai acabar com o problema de homônimos (pessoas que têm o mesmo nome e números de registro diferentes), e principalmente com as fraudes.

A nova carteira de identidade dos brasileiros, que deverá entrar em vigor em janeiro do ano que vem, vai ter informações de RG, CPF e Título de Eleitor em um só documento.
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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Os 10 maiores mitos sobre o Sono



Mito 1: No sono, seu corpo e mente descansam e se relaxam.


Não existe provas de que qualquer orgão (incluindo-se o cérebro) do corpo “se desligam” durante o sono. Na verdade, alguns processos fisiológicos se tornam mais ativos durante o sono. Por exemplo, aumenta-se a secreção de determinados hormônios e cresce a atividade cerebral para o aprendizado e a memória.


Mito 2: Seu corpo se ajusta rapidamente a diferentes horários de sono.

Seu “relógio” biológico deixa você mais alerta durante o dia mais sonolento à noite. Assim, mesmo que você trabalhe no período da noite, você naturalmente irá se sentir sonolento quando chegar a noite. Muitas pessoas conseguem reprogramar seu relógio biológico, mas somente por faixa de tempo – e mesmo assim, por 1-2 horas por dia no máximo.
Conseqüentemente, pode se levar mais que uma semana para se ajustar um novo ciclo de despertar e dormir, como, por exemplo, quando se depara em uma viagem por vários fusos horários ou quando muda de trabalho de dia para trabalho à noite.


Mito 3: Dormir 1 hora a menos por noite do que o necessário não irá afetar o seu desempenho de dia.
Esta perda pode não deixá-lo com sono durante o dia. Mas, um pouco menos de sono, pode afetar sua capacidade de pensar apropriadamente e ter respostas rápidas e ainda pode comprometer sua saúde cardiovascular e sua energia, assim como sua capacidade de combater infecções, principalmente se a perda ou falta de sono for contínua.
Se frequentemente você não tiver suas adequadas horas de sono, com o passar do tempo, sua “dívida” com o sono cresce e vai torná-lo excessivamente cansado durante do dia.


Mito 4: Sono extra à noite pode curá-lo de problemas com muita fadiga diária.

Não somente a quantidade de sono é importante, mas também a qualidade do sono. Algumas pessoas dormem 8 a 9 horas por noite, mas não se sentem bem descansadas ao acordar, porque a qualidade de sono delas é ruim.
Vários problemas de saúde (exemplo: apnéia) podem afetar a qualidade do seu sono.
Dormir mais não irá a sonolência durante o dia ou resolver a causa do mal. Contudo, muitos destes problemas podem ser tratados com mudanças de comportamento ou terapias médicas.


Mito 5: As pessoas, quando ficam velhas, precisam de menos sono.
As pessoas mais velhas não precisam de menos sono, mas elas frequentemente dormem menos ou acham que o sono delas menos restaurador. Isto é porque, quando as pessoas envelhecem, elas gastam menos tempo naqueles estágios profundos e quietos do sono e são muito mais fáceis de serem acordados. Pessoas mais velhas têm mais tendência de terem insônia ou outros problemas médicos que atrapalham seu sono.


Mito 6: Sonecas são uma perda de tempo.

Embora sonecas não substituam uma boa noite de sono, elas pode ser restauradoras e ajudam a conter o mau desempenho que possa resultar de uma noite mal dormida. As sonecas podem mesmo ajudar você a executar certas tarefas mais rapidamente.
Mas evite tirar sonecas depois das 3 da tarde, pois as sonecas pode interferir na sua capacidade de pegar no sono à noite. Além disso, limite suas sonecas para não mais que 1 hora de duração, porque sonecas longas irão fazer você difícil de acordar e voltar legal para suas atividades. Se você tira freqüentes sonecas durante o dia, você pode ter uma problema de sono que precisa ser tratado.


Mito 7 : Você pode compensar o sono que não teve durante a semana, dormindo mais no fim de semana.

Embora esta tentativa possa ajudar a aliviar uma parte desta “dívida”, ela não vai compensar completamente a falta de sono. E esta tentativa também não vai ajudar na mau desempenho durante a semana, devido ao fato de não ter dormido o suficiente.
Além disso, dormir mais nos fins de semana podem afetar seu relógio biológico ao ponto que será muito mais difícil ir dormir na hora certa nas noites de Domingo e levantar cedo nas manhã de Segunda.


Mito 8: As crianças que não dormem o bastante de noite irão mostrar sinais de sonolência de dia.

Diferente dos adultos, as crianças que não dormem o suficiente de noite, normalmente acabam ficando mais ativas do que o normal durante o dia.
Por outro lado, ela acabam também tendo dificuldade em prestar atenção e não se comportando adequadamente. Conseqüentemente, ela podem ser diagnosticadas erradamente como tendo déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).


Mito 9: Roncar é uma parte normal do sono.

Roncar durante o sono é comum, particularmente quando a pessoa vai envelhecendo. Muitos médicos especialistas dizem que roncar regularmente pode deixá-lo sonolento durante o dia e deixá-lo mais suscetível a diabete e doenças do coração.
E muitos estudos ligam o ronco com o mau desempenho na escola por parte das crianças. O ronco alto pode ser um sinal de apnéia, uma séria doença que deve ser tratada.


Mito 10: A principal causa da insônia são as preocupações.

Embora as preocupações e stress possam causar insônia, esta incapacidade persistente em cair no sono à noite pode ser causada por uma série de outros fatores. Certos remédios ou doenças do sono podem mantê-lo acordado à noite.
Algumas outras causas comuns de insônia são a depressão, problemas de ansiedade, asma, artrite e outras condições clínicas com sintomas que se tornam problemáticas à noite. Algumas pessoas, que têm insônia crônica, também parecem ser mais agitadas do que o normal, assim seria mais difícil para elas dormirem.



Fonte: http://www.sleepdisordersguide.com

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Um Tributo a Paladino - Have Gun Will Travel



O Verdadeiro Homem de Preto

Em 14 de setembro de 1957, um novo western (faroeste) debutava na rede de TV CBS. Richard Boone fazia o papel de um homem chamado “Paladin” em Have Gun Will Travel*. Mas esta expressão única em inglês, que poderia ser traduzida literalmente como “Tendo uma arma, viajarei” ficou imortalizada até hoje, sendo aproveitada em propaganda e outras mídias. A série ia ao ar ao sábados, às 9h30 da noite, logo antes de um faroeste popular, Gunsmoke, e passou por 6 temporadas de sucesso. (Começou como o 4º melhor show e seguiu por 3 anos como o 3º lugar.) A dramática abertura era com o Paladino mirando sua arma e dizendo suas palavras diretamente para a audiência, e a série sempre estampava estórias diferentes e com inteligência, raramente visto na tela pequena. A série raramente apareceu na TV nos últimos 25 anos, aparentemente porque foi filmada em branco e preto e porque continha muito violência. Esta última explicação não é verdadeiro, considerando a enorme violência exposta na TV hoje. Paladino matava muitos homens, é verdade , mas suas vítimas sempre mereciam- e quase nenhuma violência da série era gratuita.

No Brasil, a série foi apenas traduzida como Paladino. A série passou no Brasil pela antiga TV Tupi. Eu assisti alguns episódios e não sei se a Tupi colocou todas as temporadas no ar. Os poucos episódios que eu assisti, pude perceber que era um faroeste diferente, as estórias eram diferentes e sem aquele lugar-comum de outros faroestes da época. Pena que era preto e branco e eu adoraria se os episódios fossem colorizados e relançados. Enquanto este sonho não se concretiza, temos que assistir em P&B, mas não tira o seu grande impacto. O site Amazon vende o box com a série, mas em Inglês.


Richard Boone, o ator

Nascido em 18 de junho de 1917 em Los Angeles, era, na verdade, de uma 7ª geração do homem da fronteira Daniel Boone. Ele estudou na Universidade de Stanford e teve aulas de atuação no famoso estúdio de Lee Strasberg. No final dos anos 40, ele atuou em algumas peças e ao vivo na TV em Nova York. Depois, teve participações em alguns filmes no começa da década de 50.

Mesmo com sua carreira na TV, ele ainda aparecia em diversos filmes no cinema e foi nomeado 5 vezes pelo Emmy como melhor ator.. Sua presença e intensidade sempre foram marcantes, atuando tanto na TV como no cinema. Ele também dirigiu alguns filmes e produções da TV, assim como alguns episódios de Paladino.

No começo dos anos 70, ele apareceu no papel de Hec Ramsey, uma outra série faroeste e uma vez disse que Hec Ramsey era o mesmo Paladino, só que mais gordo. É claro que os dois personagens era muito diferentes e dos dois, Paladino foi muito mais popular. Richard Boone nos deixou muito cedo, falecendo em 1981 aos 63 anos de idade.

O Seu Cartão de Visita

O primeiro episódio da série, “Three Bells to Perdido” (Três Sinos para Perdido), deu poucas pistas sobre o passado de Paladino. Na verdade, este episódio mostrou que ele tinha uma vida dupla: uma como um pessoa rica e sofisticada vivendo em um hotel San Francisco e a outra como pistoleiro de aluguel vestido de preto. Também foi conhecido o cartão de visita de Paladino, que praticamente aparecia em todos os episódios futuros.


O modo de trabalho de Paladino era uma constante lida nos vários jornais que ele assinava, buscando potenciais clientes nas turbulentos tempos da época. Depois, ele enviaria seu cartão, junto com um recorte da estória publicada, para a pessoa necessitada. (Um marketing simples e eficaz, não acham?) Seus honorários básicos era de 1,000 dólares – uma alta soma naqueles dias – e ele viajaria o quão longe fosse para buscá-los.

O herói do século 20 nos anos de 1870

Ao passo que a série prosseguia, tornou-se claro que Paladino vinha de uma família rica. Ele teria servido na cavalaria da União na Guerra Civil e tempo depois partiu para San Francisco para assumir sua vida dupla de um civilizado sofisticado e a de um duro pistoleiro.Ele vivia sua vida no Hotel Carlton, uma vida de lazer e luxo. Ele gostava de artes, boa comida, charutos, jogos, de conhecimento e é claro de mulheres. Ele se vestia com as roupas mais caras da moda e sempre tinha uma citação na ponta da língua,quer seja de Shelley ou de Montaigne para sedução de uma garota, ou talvez Sócrates ou Shakespeaere para aqueles de seu próprio sexo. Ele era capaz de falar várias línguas, tocar piano e compor suas próprias sinfonias, adivinhar a marca de um whisky com uma simples provada e jogar tênis de acordo com as táticas militares de várias figuras históricas. Veja abaixo um pequeno clip:


http://www.youtube.com/watch?v=XSbD2S3-7h4


Mas as coisas eram diferentes quando Paladino mudava-se para sua roupa de trabalho. Vestido completamente de preto, o que poderia inspirar uma imagem de homem mau, com uma marca de cavalo de prata de jogo de xadrez no coldre, ele prestava seus serviços para aqueles felizes o bastante para poder pagá-lo.

Em muitas ocasiões,contudo, Paladino faria trabalho humanitário, doando seus honorários ou não cobrando para uma boa causa. Ele era um campeão da justiça, com altos princípios e ética, sempre preocupado com “o que é certo.” (Procure a palavra Paladino no dicionário e assista a alguns episódios e você irá entender porque seu nome foi escolhido. Muitas vezes ele mudaria de lado e acabaria ajudando o oponente de seu contratante, logo após descobrir que seu agora ex-empregador não era boa pessoa.

Ele usava um Colt .45 preto com um cano de rifle, especialmente desenhada segundo suas especificações. Ele também carregava escondida uma pequena pistola (Derringer), para ser usada em certas ocasiões.


Os Melhores Episódios.

Toda série, sem exceção, tem episódios fantásticos, outros bons e outros regulares. Abaixo alguns dos melhores:

"The Yuma Treasure" (O Tesouro de Yuma) – Paladino é contratado por um oficial da Cavalaria para ser o intermediário em uma negociação de paz frente um tribo de índios hostis. Mais tarde, ele acaba descobrindo as intenções do oficial e que existem um grande campo de ouro no local.

"Quiet Night in Town" (Noite calma na cidade) – Neste episódio de duas partes, quatro homens em uma pequena cidade do Texaas, decidem enforcar um prisoneiro de Paladino, um homem acusado de assassinato, antes de ir a julgamento. Quando Paladino recusa a entregá-lo, eles machucam sua mão e matam o prisoneiro. Mais tarde, ele os procura...

"The Outlaw" ( O Fora da Lei ) – Paladino é contratado para capturar um condenado, assassino de 11 homens. O assassino, Manfred Holt, é um homem simples, que sempre dá uma chance aos seus inimigos e Paladino não deixa de gostar dele. Ele permite que Holt visite sua esposa e seu filho recém-nascido a caminho de volta para a forca e, ao mesmo tempo, engana um grupo de homens determinados para que Holt nunca volte vivo. No final, Holt se recusa a deixar sua família e inevitável confrontação acontece.

"The Long Night" ( A Longa Noite )– Paladino e dois outros em roupas escuras são emboscados por um poderoso rancheiro e seus homens. Eles são informados que a menos que um deles confesse ser o assassino da esposa do rancheiro na noite anterior, todos os três serão enforcados.

"The Protégé" ( O Aluno )-- Paladino responde a um anúncio de jornal que procura um profissional para ensinar a sacar rápido. Ele aceita o desafio e transforma o homem em um bom pistoleiro. Após se defender com sucesso, o homem é advertido por Paladino para guardar a arma, mas seu novo aluno não quer saber.

"The Scorched Feather" (A Pena Ressecada ) – Paladino é contratado por um jovem francês, Robert Cielbleu, para proteger seu pai de um estranho guerreiro índio , obcecado em matá-lo.

"El Paso Stage" ( Drama em El Paso ) -- Um jovem advogado, que Paladino encontra durante sua viagem, é assassinado por um sádido xerife da cidade em que vivia. O home da lei fora de controla também derruba Paladino, que cai em um salão de jogos em uma grande confusão. Mais tarde, ele se recupera e planeja acertar as coisas, um tarefa difícil, pois não se pode matar um homem da lei, quer seja uma luta justa ou não.

O Nascimento de uma Lenda

O 1º episódio da última temporada, “Gênese”, finalmente conta a estória da origem de Paladino. Em flashback, vemos que um indivíduo inexperiente, o futuro Paladino, acaba incorrendo em uma grande dívida de jogo. Para se livrar dela, ele é forçado, pelo seu credor – um grande e maligno barão de terras, chamado Norge, para desafiar um fora da lei chamado “Smoke” para um duelo de armas. Norge reclama que Smoke está aterrorizando um povoado de propriedade do barão e ele tem ameaçado Norge se ele pisar os pés lá. O homem , que mais tarde seria Paladino (nunca saberemos o nome real dele) procura Smoke, mas Smoke acha ele primeiro e bate nele, deixando-o inconsciente. Quando Paladino acorda, ele se encontra em uma espécie de cercado, aprisionado por um íngreme despenhadeiro de um lado , com rochas inescaláveis e uma parede de estacas de madeira pontudas. Smoke (desempenhado pelo mesmo Richard Boone, com cabelos grisalhos e sem o bigode) está vestido completamente de preto – o que seria o futuro uniforme de Paladino – olha para baixo, para seu prisoneiro de uma borda acima. Ele faz perguntas ao futuro Paladino e observa que ele é simplesmente o último de uma longa lista de assassinos enviados pelo barão das terras. Impressionado, contudo, com o forte desejo de Paladino em cumprir seu juramento de matá-lo, Smoke medita que “nos livros há um nome para alguém como você... um paladino...” Dalí em diante, ele sarcasticamente ele se dirige ao nosso herói por este nome sempre que pode. Smoke diz ao seu “nobre paladino” que ele vai conseguir seu duelo, mas comenta que suas habilidades são tão fracas, que Smoke se sente compelido a dar-lhe algumas dicas para o tal acontecimento.

Quando Paladino pratica seu saque. Ele não deixa de perceber a tosse persistente de Smoke; ele obviamente sofre de alguma doença respiratória. Depois, Paladino grita à Smoke que está sendo assombrado por morte iminente de um modo ou de outro. Na noite antes do grande evento, Paladino se senta perto de uma fogueira com fumaça e tem uma idéia... Na manhã seguinte, Smoke arremessa algumas balas para Paladingo, que rapidamente coloca na sua arma. Depois, ele coloca algumas moitas no fogo já quase apagado e faz criar uma fumaça irritante que segue para cima. Os dois homens se preparam para sacar, então a fumaça atinge Smoke e ele começa a tossir e a se desequilibra-se. Percebendo a trama de Paladino, ele saca rapidamente, mas sua mira é afetada e só passa raspando de Paladino.

Enquanto isso, Paladino atira e acerta. Smoke tomba no chão e Paladino corre até o homem morimbundo, que consegue ainda falar “agora você acha que matou o dragão?... Você sabe o que você fez?... Você deixou o dragão ficar solto... A única coisa decente que eu fiz em minha vida foi... acorrentá-lo longe destas pessoas.. Quem vai parar Norge agora?... Você?... Oh, sua armadura brilha muito, e seu braço é... forte o bastante...mas, onde está a honradez, nobre paladino?... onde está a sua causa?... Lembre-se, há sempre um dragão à solta...em algum lugar--” Paladino fecha os olhos do homem morto, obviamente não orgulhoso do que ele tenha feito.

As pessoas da cidade fazem o féretro de Smoke, enquanto Paladino fica ao longe. Está claro que das palavras faladas que eles davam valor a ele e o consideravam seu protetor, enquanto que eles consideram seu assassino contratado um vil sub-humano. Paladino, chorando, está muito abatido... e resoluto.

A próxima cena mostra Norge com sua carruagem. De repende, ouvimos Paladino gritar “Norge” Fique aí!”. No topo da colina, está Paladino, agora vestido como Smoke. Ele lentamente olha para baixo, focando o olhar em Norge, com desprezo. Um novo herói emerge, e uma nova era começou.. Deixamos o flashback e voltamos ao presente, Paladino é perguntado se Norge chegou a voltar ao povoado. Paladino responde “somente uma vez.”

Somente assistindo aos espisódios, podemos entender porque a série virou um clássico. Uma pena que a nossa TV brasileira é muita fraca e só quer saber de ser apenas comercial. Virou um canal de compras, como se o brasileiro tivesse tanto dinheiro para gastar com lances, com câmeras, e outras coisas mais. Voltando ao ator Richard Boone, como eu disse ele morreu em 1981, mas podemos vê-lo, além de Paladino, em diversos filmes. Eu destaco dois dentre eles: Alamo, junto com John Wayne.


E O Senhor da Guerra (War Lord) com Charlton Heston em 1968 (imagem abaixo):

Mais uma vez, uma pena que a TV não passa mais estes filmes. Tanto a TV aberta como a TV paga. A primeira, como disse, virou canal de compras e comerciais e a segunda está, com raras exceções, de má qualidade e pouca variedade em filmes. Muitas repetições. O Canal TCM é muito fraco, com pouca variedade.

Veja aqui a música para Paladino.

http://www.youtube.com/watch?v=HZzY6KZuLUo